De quando não se vê o tempo passar…
Existem momentos em que os olhos abrem e fecham como cortinas do tempo. Não estou falando exatamente de um piscar de olhos, mas do momento em que “abrimos os olhos” e nos damos conta das coisas ao nosso redor.
Das Mudanças,
Do que nunca mudou,
Do que não queríamos aceitar,
da poesia que teima em ainda circundar esse mundo chato frio e vazio,
Das vírgulas que teimam em nunca terminar a frase…
E como a frase nunca termina, o tempo meio que para. Ou teria ele nunca andado já a muito… tempo?
Tempo tempo mano velho falta um tanto ainda eu sei. Pra você correr macio…
E fica uma impressão diferente, como se tivesse os olhos fechados a algum tempo, e só reaberto agora. Não vi correrem as horas, os dias, anos… E de repente tudo era como antes. A escrita fluia, a imaginação voltava a agitar, como nos velhos… (ah essa palavra de novo…) Tempos.
Foram esses, os últimos dias em que com os olhos abertos por demais, pensei, escrevi e disse o que deveria ter pensado, escrito e dito muito antes. Quando talvez tivesse algum sentido ter feito tudo isso…
Mas ele, (sim ele) o tempo, passou. E eu estava de olhos fechados.


