Anotações de Caderno Velho: It´s Raining Again
O presente texto foi encontrado no meio de um caderno esquecido. Foi escrito em 19/11/2008, precisamente às 16:33.
A geração de hoje já não acha nem sequer trivial um vídeo clipe… Convenhamos, a MTV nem sequer passa mais isso em sua programação, justo ela, que é o que é por conta disso…
Já a garotada da minha época achava isso o máximo.
Não, isso não é uma conversinha besta sobre “nos meus tempos blábláblá…”
Mas não deixa de ser uma conversa sobre memórias… As boas, no caso.
Um vídeo clip pode mudar muita coisa em uma pessoa. Sim, pode… E lhe explico como. Pelo menos, como foi no meu caso…
Para deixar as coisas mais claras, pegue como exemplo um menino de onze anos… (e tome por referencial uma criança de 7 ou 8 nos dias de hoje…) Daquele tipo que pensa que sabe de tudo da vida, e com o péssimo hábito de acordar de madrugada para assistir os filmes de Faroeste cheios de tiros e violência que qualquer mãe com bom senso jamais permitiria que ele assistisse.
Ocorre que ao fim desses filmes, a emissora passava qualquer coisa para preencher a programação até que desse a hora do reinício. Em alguns canais simplesmente um bip modorrento com uma tela colorida, em outros, os tais vídeo clipes. Sempre os mesmos… Quase todos chatos de doer…
Quase todos…
Lembro-me que foi confuso assistir esse vídeo a primeira vez. Meu inglês na época não era tão bom, mas eu sabia que o vídeo não batia tão fiel à música. Ela não falava de um cara que recebia um bilhete, viajava de caminhão com uns malucos, levava uma senhora surra e no fim tomava um banho de chuva com a namorada (tudo isso na tela de um Drive – In…). Era mais que isso…
Fora isso, a música me pegou, e eu nunca mais a esqueci. Aprendi a gostar de Saxofone [que era coisa de Leo Gandelman(que fim levou???)] e só não me empolguei em aprender porque descobri cedo que um desses custava mais que o preço de um Rim no mercado negro (*)
Hoje escutando de novo essa música, agora compreendendo a letra por completo eu vejo que não estava errado… Olhando de fora eu vejo como eu já sabia que as coisas não eram bem como se escrevem às vezes e que cabe a nós capturar as mensagens…
Foi então o Supertramp que me fez essa paixão pela publicidade como um todo? Ajudou, de fato, mas isso é outra história, muito mais longa e muito mais espalhada no universo das chamadas “mídias”. (Que quando eu era moleque, a gente chamava mesmo de livros, gibis, discos, TV e filmes…)
Quem sabe um dia eu consiga falar direito sobre essa história…
(Este que aqui escreve deixa claro que desconhece todo e qualquer valor de qualquer tipo de orgão ou tecido, seja no mercado negro ou no branco. A expressão usada foi apenas para realçar o fato de maneira jocosa de que o citado instrumento é realmente caro. O autor reconhece que a piada foi incrivelmente sem graça e de já pede desculpas…)


