Anotações de Caderno Velho: Domingo

O presente texto foi encontrado no meio de um caderno esquecido. Foi escrito em 29/10/2006, precisamente às 20:11.

Quando acordou parecia até não saber que era Domingo. No pé do cachimbo. A cabeça pesada de uma noite mal dormida. Pisou o chão frio e a réstia de sono foi embora com o arrepio. Um pouco mais cedo e acordava antes do sol.
Olhou pela janela e não viu nada de anormal. Os mesmos bêbados abraçados aos mesmos postes. Os mesmos velhinhos caminhando com suas camisas de malha brancas e suas toalhas mais alvas que seus cabelos.

Nem olhou para o relógio. Era capaz de adivinhar, então não começaria o dia perdendo tempo.

Olhou para o caderno, que dormiu jogado ao chão, com o lápis marcando a última página escrita, e lembrou da história que escreveu na noite anterior. Mais um pedaço de um par de linhas que já não parecia ter fim. Ainda lembrando, soltou o primeiro sorriso do dia. Era bela essa parte da história. Marcava uma reviravolta na vida de seu protagonista.

Gostava ele de conseguir escrever bons momentos para o herói que criou. Se via de alguma forma ele também vivendo suas reviravoltas ainda que não tão grandiosas, como que seguindo os passos de alguém que sequer existe senão em folhas pautadas, como seguem os garotos os passos dos heróis da história de um povo.

Decidiu então que ia a partir daquele momento escrever mais capítulos grandiosos, para seu caderno e sua própria vida.

Abriu a porta do quarto e desceu as escadas para ver o sol que já brilhava forte.

Porque era Domingo.

Anotações de Caderno Velho: Soldados

O presente texto foi encontrado no meio de um caderno esquecido. Foi escrito em 08/10/2009, precisamente às 08:27.

Enfrentamos o inferno desde que o fogo é fogo, Numa batalha desigual.

Eles tentaram nos destruir por completo; E Num momento eu até quis acreditar Que o fim seria então até um alívio.

Mas sim, eu sei, não é bem assim. No fim, não sei quando, tudo se tranqüiliza

E enfim se poderia achar a paz…

E voltar tudo ao que era

Olhe então por estes soldados ó nobre e belo patriarca

Para que um dia possamos retornar Ao sonho em que sempre sonhei estar…

Então sonho com o que vale a pena sonhar.

E meu sonhos mais belos são feitos de pedaços de outros sonhos:

Céus Gregos, Torres Romanas, Um pôr do sol galego, E uma brisa doce do mar Tirreno.

E tudo o que perdi, Tudo o que ganhei, Poderia então fazer algum sentido.

Se de fato tudo enfim se acalmasse e pudesse pensar com toda clareza da bondade.

Salve minha alma ó nobre e belo patriarca, Para que um dia eu possa retornar Ao sonho em que sempre sonhei estar.

Eu rezo por ela, que reza por mim, Para que eu possa retornar vivo e são.

Para podermos terminar essa história; Seja qual for o fim que ela escolher…

E rezo também pelas crianças que ainda nem vi nascer… Pequenos pedaços da história por vir, Por enquanto ainda uma imaginação, Mas que já ganharam meu coração para sempre.

Salve então este mundo ó nobre e belo patriarca.

Para que um dia não seja preciso sonhar em retornar Ao sonho em que sempre se sonhou estar…

De quando não se vê o tempo passar…

Existem momentos em que os olhos abrem e fecham como cortinas do tempo. Não estou falando exatamente de um piscar de olhos, mas do momento em que “abrimos os olhos” e nos damos conta das coisas ao nosso redor.

Das Mudanças,

Do que nunca mudou,

Do que não queríamos aceitar,

da poesia que teima em ainda circundar esse mundo chato frio e vazio,

Das vírgulas que teimam em nunca terminar a frase…

E como a frase nunca termina, o tempo meio que para. Ou teria ele nunca andado já a muito… tempo?

Tempo tempo mano velho falta um tanto ainda eu sei. Pra você correr macio…

E fica uma impressão diferente, como se tivesse os olhos fechados a algum tempo, e só reaberto agora. Não vi correrem as horas, os dias, anos… E de repente tudo era como antes. A escrita fluia, a imaginação voltava a agitar, como nos velhos… (ah essa palavra de novo…) Tempos.

Foram esses, os últimos dias em que com os olhos abertos por demais, pensei, escrevi e disse o que deveria ter pensado, escrito e dito muito antes. Quando talvez tivesse algum sentido ter feito tudo isso…

Mas ele, (sim ele) o tempo, passou. E eu estava de olhos fechados.

Anotações de Caderno Velho: It´s Raining Again

O presente texto foi encontrado no meio de um caderno esquecido. Foi escrito em 19/11/2008, precisamente às 16:33.

A geração de hoje já não acha nem sequer trivial um vídeo clipe… Convenhamos, a MTV nem sequer passa mais isso em sua programação, justo ela, que é o que é por conta disso…

Já a garotada da minha época achava isso o máximo.

Não, isso não é uma conversinha besta sobre “nos meus tempos blábláblá…”

Mas não deixa de ser uma conversa sobre memórias… As boas, no caso.

Um vídeo clip pode mudar muita coisa em uma pessoa. Sim, pode… E lhe explico como. Pelo menos, como foi no meu caso…

Para deixar as coisas mais claras, pegue como exemplo um menino de onze anos… (e tome por referencial uma criança de 7 ou 8 nos dias de hoje…) Daquele tipo que pensa que sabe de tudo da vida, e com o péssimo hábito de acordar de madrugada para assistir os filmes de Faroeste cheios de tiros e violência que qualquer mãe com bom senso jamais permitiria que ele assistisse.

Ocorre que ao fim desses filmes, a emissora passava qualquer coisa para preencher a programação até que desse a hora do reinício. Em alguns canais simplesmente um bip modorrento com uma tela colorida, em outros, os tais vídeo clipes. Sempre os mesmos… Quase todos chatos de doer…

Quase todos…

Lembro-me que foi confuso assistir esse vídeo a primeira vez. Meu inglês na época não era tão bom, mas eu sabia que o vídeo não batia tão fiel à música. Ela não falava de um cara que recebia um bilhete, viajava de caminhão com uns malucos, levava uma senhora surra e no fim tomava um banho de chuva com a namorada (tudo isso na tela de um Drive – In…). Era mais que isso…

Fora isso, a música me pegou, e eu nunca mais a esqueci. Aprendi a gostar de Saxofone [que era coisa de Leo Gandelman(que fim levou???)] e só não me empolguei em aprender porque descobri cedo que um desses custava mais que o preço de um Rim no mercado negro (*)

Hoje escutando de novo essa música, agora compreendendo a letra por completo eu vejo que não estava errado… Olhando de fora eu vejo como eu já sabia que as coisas não eram bem como se escrevem às vezes e que cabe a nós capturar as mensagens…

Foi então o Supertramp que me fez essa paixão pela publicidade como um todo? Ajudou, de fato, mas isso é outra história, muito mais longa e muito mais espalhada no universo das chamadas “mídias”. (Que quando eu era moleque, a gente chamava mesmo de livros, gibis, discos, TV e filmes…)

Quem sabe um dia eu consiga falar direito sobre essa história…

(Este que aqui escreve deixa claro que desconhece todo e qualquer valor de qualquer tipo de orgão ou tecido, seja no mercado negro ou no branco. A expressão usada foi apenas para realçar o fato de maneira jocosa de que o citado instrumento é realmente caro. O autor reconhece que a piada foi incrivelmente sem graça e de já pede desculpas…)

Corrida UNIFOR 2009

Sem inspiração para fotografar ultimamente, só me resta correr. Sendo assim, mostro aqui a última presepada encarada:

A Corrida UNIFOR 2009. 10km de percurso.

A primeira vez que encaro um percurso de fato. Sem ser as velhas voltas fixas em traçado fechado.

Mais uma vez o clima ajudou, ficando ameno durante toda a corrida, que diga-se de passagem foi muito bem organizada.

A única chateação ficou por conta da cronometragem, que ainda está dando muita dor de cabeça ao pessoal da UNIFOR e Fcat. Ainda bem que levei o velho Nike+ de guerra que marcou tudo pra mim. 10k em 1:14:58, quase 5 minutos abaixo do tempo do SESI.

O bom de tudo é que terminei bem e tranquilo. Tanto é fato que voltei para casa a pé, acrescentando mais 5km ao passeio…

E em se tratando de corridas, 2009 se acabou. Veremos o que se faz com o ano próximo…

O Link para o gráfico da corrida está aqui.

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